domingo, 6 de abril de 2008

por quanto tempo mais david mamet achou que nos enganaria?

e na capa do caderno 'mais' da folha:
mamet à direita.

conta outra vai.

david mamet é das figuras mais superestimadas de nosso tempo.

jamais percebi em seus filmes ou textos qualquer vontade política de mudança.
qualquer expansividade de esquerda.

outro dia revia 'o assalto'.
dado número um: é um mau filme que há algum tempo considerava muito bom.
dado número dois: o assalto é um elogio ao arrivismo, ao inescrúpulo, ao capitalismo destrutivo.

um paralelo: clint eastwood, artista declaradamente conservador, apoiador do partido republicano, tem em seus filmes um arsenal invulgar de tolerância, igualdade, liberdade, compaixão.
ao se deparar com a obra de clint não vacilamos: eis um homem de esquerda.
e ele não o é.
seus filmes são.
está lá.

não se trata, pois, de uma guinada de david mamet da esquerda à direita, mas de uma crise de consciência (ao qual sempre houve nos filmes-mamet e nunca no homem-mamet) de não dissimular mais.

mamet sempre fora um homem da direita.

mamet deve ter se perguntado:
por quanto tempo mais continuarei enganando?

4 comentários:

sumiu disse...

na prática a teoria é outra

Guilherme Tomé disse...

Bueno!!
E não é que navegando nesse mundo virtual me deparo com seu blog. Como de se esperar muito "bueno" seu blogue.
Aqui quem diz é seu primo de Orlândia, Guilherme Tomé.

Bom, para falar verdade achei muito interessante o modo em que você lida com as palavras.
Pode ter certeza que vou continuar a "entrar" neste blog bello! E claro, comentar. rs

Guilherme Tomé disse...

Ah, tinha me esquecido... Me add no msn: é gui3636@hotmail.com e tem outro gui-tome@hotmail.com

Até!

Ian disse...

a tal guinada de mamet, para a direita, anunciada pela folha vale também para a mesma. um jornal que se passava como menos conservador, até certo ponto elogiado pela esquerda, escancara dia após dia, em manchetes escandalozas que não coincidem com o texto das notícias, um conservadorismo e uma má fé poucas vezes vistos antes num jornal impresso pós-84.